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Chove lá fora Para uma vida corrida e sempre movimentada, com inúmeros afazeres nos finais de semana, nada como um sábado e domingo de chuva e frio para se recolher. Só mesmo a chuva para fazer a gente parar em casa e ficar simplesmente sem fazer nada, se é que isso é possível, porque até quando não se faz nada, sempre há alguma coisa para fazer. Como, por exemplo, ver um filme na tevê paga para fazer valer o preço da mensalidade, já que nunca temos tempo de parar em frente à televisão porque a rua nos chama. Ou ainda ler aquela pilha de revistas que assinamos e normalmente não encontramos tempos nem de folhear. Até se arriscar na cozinha e preparar uma mousse de chocolate ou ficar no MSN colocando em dia o papo com os amigos distantes, ou ainda dormir até dizer chega, como não fazíamos há séculos. Porque será que a gente tem tanta culpa de não fazer nada? Fazer nada soa quase como uma agressão nesse mundo de mil compromissos, como trabalhar, ir à academia, sair pra beber com os amigos, assistir todos os filmes em cartaz, as exposições, shows, retornar ligações, cuidar da casa, do bichinho de estimação, ir ao supermercado, à lavandeira, à costureira, marcar presença em aniversários... ufa. Isso sem contar as baladas do final de semana que nos consome tempo, energia, dinheiro e nos deixa sempre mais cansados. Quem às vezes não pensa em se multiplicar em dez para dar conta de tudo que precisaria executar? Aí chega uma frente fria e uma chuva daquelas que não passa nem com reza forte e te obriga a ficar em casa, fazendo ver que é muito bom dar uma desacelerada. Melhor que ficar sem fazer nada é entrar em contato com nós mesmos, como não fazíamos há tempos por falta de tempo na movimentada agenda. Ficar quietinho deitado na cama ou no sofá, olhando pro teto e pensando nas últimas burradas que fizemos, reconhecendo que precisamos pegar leve porque o corpo já não aguenta mais ser tão mal usado. Ouvir nossos passos pela casa e acima de tudo a voz do pensamento dizendo que precisamos usar o tempo de maneira mais útil. É muito bom descansar. Ficar em casa o dia inteiro de moletom e sem culpa e o máximo de exercício a ser feito é ir do quarto pra sala, da televisão pro computador, da geladeira pro fogão ou nem isso. Pedir tudo pelo delivery e ficar esperando a entrega na porta, enquanto olhamos a chuva caindo e nos agasalhamos ainda mais nos protegendo do frio providencial que veio para trazer um pouco de sossego.
Escrito por Rildo Barros às 20h34
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